terça-feira, 6 de novembro de 2012

Renúncia das Cores


Renúncia das Cores

Quero ir embora
Perder minhas horas, esquecer de mim...
Esquecer de ti...
Me perder em você...
Nos seus caminhos que me expulsam dos trilhos.
Provisório. Não me agüento mais.
Não me alimento mais de sonhos que eu mesma bordo.

Se desfaça então,
Solte suas amarras,
Jogue meu tempo contra o seu.
Beba-me em versos e letras,
Teus bordados agora me pertencem

Náuseas. Basta. Não quero mais ser de ninguém

Querer não está em pauta
És agora de outra vontade
Tens a porta à sua frente, pálida

Chega de rosas.
Meu mundo já está sem cor desde que me aproximei de ti
Tu não sabes a diferença entre carmim e ocre

Cores vão e vem
Gire a roda e tudo vira branco...
Ou cinza como tua mágoa
Deixe os tons... Ouça

Só ouço o som deste piano pesado que só soam notas de saudade

Saudade é música parada
Mas o piano toca o que você não espera
Pare. Escute com atenção...
É o som da sua entrega

Então me tomas
Renuncio a ida
Fico
E só fico porque me quer por perto

Devolvo suas cores
Feche os olhos e as tome


(Parceria com M. D. Amado)
Débora Andrade e M.D. Amado

Sobre A Noite


Sobre a Noite

Nuvem de mistérios a pairar sobre humanidade.

Quem somos, quem fomos e o que seremos?
O que há além do céu? O que há além do Universo?
Transformações incessantes de nós mesmos,
Armando espetáculos constantes do que desejamos ser.

Escolhemos como personagem a noite.
E, em exercício de Artes Cênicas,
Anoitecemos logo ao entardecer.
Pretendemos ser desvendados e nos conhecer.
E  desejamos ocultar o que não devemos ser.

Com o pouco cuidado de principiante,
Nos pintamos como o céu quando é escuro.
Nossas estrelas estão expostas, mas não sabemos nenhuma direção.
Sem dosar o brilho e a luz, destacamos a Lua, quase sempre  cheia.
Cheia de nós mesmos. Cheia das nossas fraquezas.
Tão cheia deste desmazelo de quem não se prepara para atuar.

E já é quase meia-noite...
Então saia e olhe para o céu, olhe para noite e meia.
Vai se deparar com a imensidão do espaço acima de nós.
A atmosfera não esconde a escuridão do universo lá fora.
O silêncio convida à introspecção e agora...
Prestação de contas: a noite e você.

Você brincando de ser noite.
E a noite, sem perder nenhum tempo,
Transformando-se no dia que teremos.
No dia que podemos ser.

Quem é dono de mais mistérios?
Respostas que nunca vamos saber.
O que é escuro, nem sempre, obscuro precisa ser.

Débora Andrade e Flávio Andrade

Leitura de Nós


Leitura de Nós

E nós... os nós...
Em constante processo de transformação.
Vamos tentando ler com calma...
Repetindo a leitura...
Com muito cuidado para não deixar cair café em nehuma folha...
De vigília com o tempo... com o vento...
Para que não haja nenhuma tempestade que feche nosso livro...
Lendo, com delicadeza para que não passe nenhum capítulo em branco...

E se diferente, você assim, desejar...
Deixa cair o café..." assim bem romântico, numa página..."
Porque você gosta... "da folha amassada na medida... da folha suja, também na medida..." "Gosta da folha velha"...

Que seja...

Desde que nada disso acabe com a história!!!
Desde que tudo isto... nos componha...

E faça das nossas páginas...
Leitura que embale sonhos...
Leitura que inspire canção...


(Débora Andrade / Flávio Andrade)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Silêncio em Vão


Silêncio em Vão

Afirmo.
Contesto.
Questiono.
Desculpo-me.
Protesto.
Era para ser bom.
Nossos motivos, por vezes desiguais,
Deram espaço ao questionamento:
- Somos ou não, reais?
Deixei que pudesse ler meus olhos.
Deixei que as palavras morressem secas no nó entre a garganta e a boca.
Mudo, meu mundo sorria.

Agradeço.
Pela confiança.
Pelas palavras bem ditas.
Pela fé e perseverança.
Pelos elogios e pela dança.
Censuro.
A demasiada arrogância.
A cansativa intolerância.
A fria e casual elegância.
Renego.
A vista grossa.
O gosto breve.
A cabeça leve.

Se pudesse ler o meu olhar,
Teria sim, além do silêncio...
Sim. Não disse que te amava.
E nisso você pode ficar com a razão.
Nunca diria sobre o amor,
Se eu achasse em vão...

Era só um tempo...
Só um pouco até reaprender a falar.
Enquanto isto,
Teria de mim o silêncio...
E as palavras do meu olhar...
Débora Andrade

De Volta


De Volta

Sobre os ombros, o peso de um mundo em preto e branco.
A estrada é de volta.
Mesmo com o sol entre as nuvens,
O céu me brinda com um azul quase celeste.

Retomo as penas...
Transformando-as em asas...
Do chão ao infinito do ar, torno o impossível uma chance.

Nem tento o tempo...
Saio desta órbita natural e
Forço os ponteiros do relógio.
Atraso os minutos.
É meu todo o tempo.

Retroceder, retrair, refletir, impulsionar, seguir...

Não conheço o medo e nem me quero de volta.
Só me aproximo do que eu sempre soube que seria.

Sobre os ombros, o alívio de um mundo em cores.

Minhas tintas, meus pincéis, minhas dores.
Retorno, como quem renasce.

E do aborto às pressas de um sonho quase parido,
Coragem me brinda semente e mais versos.
É feto de luz.
Semente de amor.

E da minha vida, sem pressa, o cultivo das flores e o descuido com meus espinhos.
Será assim...
Sempre assim...

Até raiar o dia em que em mim dormirá a esperança.
Verde... azul, amarelo dourado, vermelho, laranja...
E nos meus ombros, todas as cores e mil mundos.
Débora Andrade

O Adeus


O Adeus

Frágil corpo em alma desgostosa.
É atento o desespero e o desapego é intento.
Deixe o corpo.
Apague a dor.

Não há dia que não encontre a noite.
E não há noite que não encontre o dia.

Não há trevas sem luz.
E não há luz sem trevas.

Não há vida sem morte.
E não há morte sem vida.

E na garganta o nó do adeus.
Nos olhos ardidos, a desesperança...
E a vida acena pesado...
Será o fim ou o começo?

Despedida.
E não há nenhuma chance de evitar o encontro...
Inevitável...
Certeiro...
Atribulador...

Leva-te em paz...
Deixando-nos em dor...
Viestes do pó e ao pó voltarás...

Lágrimas substituem as reticências.

Hoje meu tom tem outro ponto final.
Muito mais final que todos os outros pontos.

Cuide-nos, Senhor.
Débora Andrade

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Que Não Sei Dizer

Diante de ti... Todas as palavras na minha boca,
Dançando entre a língua e os dentes...
Letra por letra refletindo o meu olhar no seu...
Mãos, face, olhos embebedados na verdade que brota de cada cantinho do coração...
É sincero, É puro... E tudo tão simples que nem parece mesmo o que acredito que seja...
E me engasgo... Não quero que nada te machuque. Não quero que seja um engano, outra vez.
E que nada estrague nosso instante...
E mesmo que estas palavras presas possam perpetuar nossos momentos...
Não arrisco se quer uma letra... Um dia, quem sabe não muito distante, desengasgo...
E digo o que há muito já não sei mais dizer...

 Débora Andrade